Entrevista com Sandyalê – “Apesar de toda tragédia há sempre uma luz”

Foto: Instagram pessoal @sandyale_

Quando se fala em novas vozes de destaque da cena cultural sergipana, o nome de Sandyalê é um dos mais lembrados. Se em 2014, quando estreou com “Um no enxame”, ela era vista como uma promessa. Com seu trabalho “Árvore Estranha” lançado no final do ano passado, podemos afirmar que Sandyalê é uma realidade. O trabalho foi bem recebido pelo público e pela critica e figurou em listas de Melhores do Ano.

Em 2020 ela continua a florescer. No último mês de agosto lançou o clipe “Linhas que Trago” , e em setembro voou para o Rio de Janeiro. Contemplada pela o edital Aceleração Musical LabSônica, foi gravar no mítico estúdio Toca do Bandido. “Sandyalê está dando muitos passos graças à Deusa música”, afirma a própria. Para saber um pouco mais dos projetos futuros e do momento presente é que conversamos com artista Sandyalê e você confere esse bate-papo na entrevista abaixo.

Como você tem enfrentado esse período de confinamento?

Foi e tem sido um período de descobertas e desafios, acho que pra todo mundo né? De loucura também, às vezes a cabeça não aguenta e aí a gente chora pra lavar, acalmar e limpar. Mas no geral pra mim teve seu lado positivo, e é preciso enxergar isso também… pelas experiências e oportunidades que tive com a música, pelo crescimento pessoal cada vez mais forte e pelo valor das pequenas coisas. Apesar de toda tragédia há sempre uma luz, gosto de pensar assim.

Em recente entrevista você disse considerar o “Árvore Estranha” como primeiro disco ( apesar de o Ep “Um no enxame” também ser visto como tal). Esse olhar se dá por conta de um amadurecimento do seu trabalho?

Tanto o amadurecimento quanto o pertencimento. O Árvore Estranha é um disco que se parece mais comigo e foi pensado para ser um disco, conta uma história, tem um conceito, tem uma identidade. Falo com mais propriedade sobre ele. O Um no Enxame foi um experimento, uma descoberta, uma coisa livre, sem pretensões… estava aprendendo. No Árvore participei mais do processo (intensamente, eu diria), assino a maioria das composições, cuidei de toda produção executiva, enfim… mergulhei de cabeça, corpo e alma nesse disco, além de ter tido a companhia, participação e dedicatória para meu grande e eterno companheiro Mingau.

Faz um mês que você lançou o clipe de “Linhas que Trago”, conta um pouco como foi a produção dele.

Está lindo né? Ele foi produzido pela turma de Cinema e Audiovisual da UFS. A gente se encontrou no final de 2019 para nos conhecermos e discutir sobre possíveis ideias. No começo de 2020 começamos a gravar, foram três dias de gravação… dois dias no estúdio Aju e uma tarde no estúdio da UFS. Foi bem coletivo, com colaboração e ideia de todos, apesar de serem jovens achei bem profissional com direito a tudo que um set de gravação tem. Fiquei bem feliz com o resultado, já passou de 26mil visualizações no YouTube, foi muito comentado e divulgado por todos, acho que deu pra imergir na música através do clipe.

O que você costuma ouvir em casa?

Tenho ouvido muito Nicolas Jaar, estou viciada em cada disco deste homem, produtor, Dj, ele é infinito. Recomendo fortemente… inclusive é uma grande influência pro meu próximo disco. Também tenho curtido muito o som da Bule, uma banda bem massa de Recife que também passou no Edital Labsônica, além da ROSABEGE e Olivia de Amores que também participaram do processo. Tenho ouvido também ARCA, Yves Tumor, DARKSIDE (outro projeto de Nicolas Jaar), etc.

Você também já afirmou que a música mudou sua vida, que ajudou a você sair de uma depressão. Como a música entrou na sua vida?

Acredito que através do meu avô, ele é cantor, cantava muito em seresta e todos os dias ele botava o vinil de Nelson Gonçalves para tocar bem alto dentro de casa. Eu sempre morei com meus avós e minha mãe, a gente morava tudo junto… mas quem enxergou que eu gostava de cantar foi minha mãe. Minha total incentivadora até hoje, minha mãe e minha vó são minhas empresárias (risos) e minhas maiores fãs. Elas acreditam até mais que eu.

Se fosse escolher um disco que marcou a sua vida qual seria?

Difícil pergunta para uma libriana do primeiro decanato mas vou citar dois: “Transa” de Caetano Veloso e “… Das barrancas do Rio Gavião” , de Elomar. Dois mestres, duas escolas para mim.

Você tem algum hábito para compor ou cada caso é um caso?

Cada caso é um belo caso haha, muito do que eu escrevo é o que eu vivo, sou eu. Então preciso viver… porém venho mudando esse hábito e passando a exercitar mais a forma de compor sem compromisso, em cima de outras histórias, motivos, etc.

A pandemia trouxe diversos questionamentos e incertezas ao mundo da música, o que você tem observado que pode servir de alternativa para cadeia produtiva?

Fazer o seu trabalho, seja ele qual for, com amor, carinho e dedicação, dando o seu melhor naquele momento, vai lhe trazer resultados positivos. Foi o que eu fiz, me arrisquei nas minhas coisas e consegui um resultado muito bom para a propagação do disco que lancei no final do ano passado, e não tive a oportunidade de circular com ele. Use sua criatividade, acredite em você e faça! Se você não fizer o que deseja ninguém vai fazer por você. É assim que as coisas chegam, as portas se abrem… a energia emanada é o mais importante, inclusive.

Para finalizar, quais os próximos passos de Sandyalê?

Sandyalê está dando muitos passos graças à Deusa música. Recentemente passei no edital de aceleração musical para artistas LabSônica – Edição Toca do Bandido. Enquanto respondo essa entrevista estou voando para o Rio de Janeiro. Lá vamos gravar três singles inéditos que serão lançados ainda esse ano. Também vem clipe novo, tem bastante coisa pro final desse ano e começo do ano que vem. Depois a ideia é começar a produzir meu terceiro disco!!!

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